Exorcismo sempre foi e sempre será um assunto no mínimo controverso.

Casos são inúmeros. Poucos foram devidamente documentados e assumidos por parte da Igreja. Mas a literatura do terror sempre foi fascinada por essa manifestação maligna do sobrenatural, e histórias com base criativa nesse fenômeno – ou que pelo menos o utiliza como um dos seus elementos principais – não são incomuns.

O exorcismo é uma prática bem antiga. É possível encontrar escritos e pinturas datados da Idade Média que já relatam esses combates entre o santo e o profano.

Café & Espadas_Artigo_Livros de Exorcismo

Há toda uma prática ritualística para a expulsão de demônios e, antes de se chegar a medida extrema de executar esse ritual, os padres fazem uma investigação para determinar se o caso em suas mãos é verídico ou somente uma farsa.

Na literatura de terror e suspense, o exorcismo é tema recorrente, rendendo basicamente romances ficcionais, histórias baseadas em fatos ou ainda livros escritos por padres que conduziram exorcismos durante a sua vida.

Seguindo a mesma linha desse tipo de temática, temos os livros que falam sobre manifestação de espíritos e entidades etéreas, alguns casos reais e documentados, outros bem fantasiosos, mas não menos assustadores.

Willian Peter Blatty, O Exorcista e outras obras

Não há como falar de exorcismo na literatura e não citar o nome de um dos autores que mais investiram nesse tipo de narrativa e também desenvolveu uma obra que carrega até hoje o peso de ser um clássico do terror.

cafe-espadas-o-exorcista-william-peter-blatty-exorcismoWillian Peter Blatty tem a sua magnum opus já eternizada nas páginas da literatura e nas telonas da sétima arte. O filme O Exorcista – que tem o seu roteiro e a obra que inspirou a sua adaptação escritos pelo próprio Blatty – é talvez um dos filmes de terror mais cultuados e vistos na história, e a dúvida quanto a veracidade do caso de possessão da jovem Regan McNeil ainda permanece um mistério.

O filme arrastou alguns prêmios da Academia – Oscars de melhor roteiro adaptado e som – e foi indicado em outras oito categorias, incluindo a de melhor filme, sendo o primeiro filme de terror indicado nessa categoria na história do cinema. Até hoje, nenhum outro filme de terror conseguiu esse feito.

O livro se tornou uma referência não só para autores que constroem suas histórias sob essa aura sombria das possessões, mas sim para o terror como um todo.

Publicado originalmente em 1971, o livro causou impacto por suas descrições fortes, perturbadoras e por sua originalidade narrativa – por mais que a técnica de escrita não seja das melhores. Criando o estereótipo da “garota possessa”, Blatty foi um percussor de várias outras obras que surgiriam durante os anos setenta e em diante.

Mas O Exorcista não foi o bastante para Blatty. Logo ele iria escrever várias outras obras, bem menos renomadas, e até mesmo uma continuação para o seu clássico.

Em 1983, ele escreveu O Espírito do Mal, que nada mais é do que a continuação de O Exorcista. O livro, apesar de ser considerado uma obra interessante, não tem o mesmo peso e importância para o cânone do terror.

Entre as duas obras supracitadas, mais precisamente em 1978, ele publicou a obra A Nona Configuração, um thriller de terror psicológico que se passa no interior de um manicômio para veteranos de guerra. Depois disso ele só iria lançar algo novo em 1996.

cafe-espadas-demons-five-exorcists-nothing-william-peter-blatty-exorcismoDemons Five, Exorcists Nothing: A Fable marcou a volta de Blatty. A trama narra a vida de um ator de Hollywood decadente que acaba por firmar um trato com um satanista para alavancar a sua carreira. Depois dessa obra, ele ainda escreveu outros três romances: Elsewhere (2009, focado em um horror de casa assombrada), Dimiter (2010, suspense que narra uma história de busca por vingança) e Crazy (2010, que aborda temas mais escapistas ao terror, como amizade e inclusão).

Willian Peter Blatty é considerado por muitos como “autor de um livro só”, já que as obras que vieram depois de O Exorcista não têm a mesma relevância, mas o novo paradigma que essa obra trouxe para toda a literatura de terror é algo que perdura até hoje, tanto na literatura quanto no cinema.

Não há como falar de histórias sobre possessões demoníacas e não pelo menos citar o nome de Blatty.

Outros autores que produziram obras importantes ainda na década de setenta são Jay Anson, autor de Horror em Amityville (1977) e Frank de Fellita, autor de As Duas Vidas de Audrey Rose (1975) e A Entidade (1978), que também ganhou uma adaptação cinematográfica que ficou conhecida por aqui como O Enigma do Mal.

Os padres e os seus relatos

Partindo para a outra vertente quando o assunto é exorcismo, temos os livros escritos por padres nos quais eles narram suas experiências pessoais com o ritual de expulsão de demônios. Aqui no Brasil esse é o tipo mais comum de livro centrado neste assunto.

Um dos autores mais atuantes nesse campo é o padre italiano Gabriele Amorth. Membro da Pia Sociedade de São Paulo, Amorth é considerado um dos maiores exorcistas do mundo, chegando a fundar em 1990 a Associação Internacional dos Exorcistas.

cafe-espadas-novos-relatos-de-um-exorcista-gabriele-amorthA sua obra literária concentra-se em relatos sobre os exorcismos dos quais participou e também manuais de como vencer o mal e se proteger dele durante um ritual de expulsão; além de estudos sobre a relação entre as manifestações e a psiquiatria.

Dos seus principais livros podemos destacar: Um Exorcista Conta-nos, Novos Relatos de um Exorcista, Exorcistas e Psiquiatras, O Último Exorcista, Vade Retro Satanás, Mais fortes que o mal (O demónio: reconhecê-lo, vencê-lo, evitá-lo) e Memórias de um Exorcista (A Minha Luta Contra Satanás).

Outro padre que contribuiu para a pesquisa sobre os exorcismos, participou de alguns casos e os relatou em livro foi o espanhol José Antonio Fortea Cucurull, que escreveu a obra Memorias de un exorcista (2008).

O padre ficou conhecido após um caso de possessão em Madrid, desde então se dedica a pesquisa, apesar de não praticar mais exorcismos.

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Vários outros padres contribuíram para esse tipo de literatura com os seus relatos e práticas para os rituais, mas um livro em especial traz uma série de informações sobre casos que ocorreram aqui no Brasil.

Diário de um Exorcista (publicado pela Editora Generale em 2013) é o resultado de uma pesquisa feita durante quatro anos pelo autor Luciano Milici e pelo cineasta Renato Siqueira. Eles aglutinaram inúmeros relatos e entrevistas sobre casos reais de exorcismo que ocorreram em solo brasileiro e, até então, nunca foram divulgados pela Igreja Católica.

A obra também teve sua adaptação para o cinema no filme Diário de um Exorcista – Zero (clique aqui) e dará início a uma trilogia que será lançada ano que vem nos cinemas.

Exorcismo é um assunto controverso, que divide opiniões dentro e fora dos templos sagrados da igreja.

Dificilmente saberemos o quanto de verdade há em cada relato, em cada testemunho. Mas obras como essas nos ajudam a mergulhar um pouco mais nos mistérios que cercam a mente e o espírito humano, debatendo (com um toque de ficção ou com o pé bem fincado na realidade) sobre o poder da crença e como ela pode interferir no nosso mundo físico.

E você, já leu algum dos livros citados nesse texto? O que você pensa sobre exorcismos? Deixe seu comentário e compartilhe a sua opinião com a gente.

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