A San Diego Comic-Con desse ano foi à loucura com os anúncios feitos pela Netflix, a maior provedora de ótimas séries dos nossos dias.

Além do trailer da terceira temporada do Homem-Sem-Medo, foram anunciados, com seus respectivos trailer, a série do grandalhão Luke Cage e também a do grupo de heróis Defensores, formado pelo Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones e o assunto dessa resenha, Punho de Ferro. Essa será a formação apresentada na série da Netflix e é importante citar que nas HQs essa formação varia bastante. Para se ter uma ideia, a original era composta pelo Namor, Dr. Estranho, Hulk e o Surfista Prateado.

Mas focando no assunto principal desse texto.

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Nas HQs, o Punho de Ferro (criado por Roy Thomas e Gil Kane) já fez parceria com o Luke Cage, em histórias que traziam uma superfície de violência pura ao personagem, sem tantos aprofundamentos místicos em sua origem. Então esse foi o objetivo de Kaare Andrews (arte e roteiro) em Punho de Ferro: A Arma Viva: acrescentar alguns detalhes a já conhecida origem do herói, ao mesmo tempo que narra uma história de redescoberta.

No apanhado feito pela Panini Comics temos as edições de The Iron Fist: The Living Weapon 1 – 12 divididas em dois volumes (volume 1: edições 1-6 e volume 2: edições 7-12). De início temos o protagonista Daniel Rand concedendo uma entrevista muito pessoal onde tenta mostrar a uma repórter o seu drama de ter perdido os pais de forma trágica em um acidente enquanto estavam na busca da mítica cidade de Kun Lun. Essa cidade foi descoberta pelo pai de Daniel, Wendell Rand, quando ainda era bem jovem.

Essa cidade só surge a cada 10 anos, e quando Daniel completa 9 anos o seu pai o leva – junto de sua esposa e o seu sócio Harold Meachum – em uma expedição para reencontrar Kun Lun. No meio dessa aventura, Daniel perde os seus pais e promete vingança contra Harold. Ele é resgatado por alguns habitantes de Kun Lun e lá ele começa a ser treinado em artes maciais e nos segredos do domínio do ki, sua energia espiritual.

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Em Fúria, a primeira parte da publicação, a narrativa fica dividida entre a tal entrevista e os flashbacks e lembranças do protagonista, dando um foco mais objetivo, e necessário, a todo o misticismo e história oculta de Kun Lun, o que é totalmente vital para a trama, já que toda a jornada de Daniel é fundamentada na cidade e em tudo que ele passa por lá. Aqui vemos que Kaare faz o seu retcon com maestria, reconstruindo a origem do Punho e respeitando todos os alicerces.

Enquanto viaja pelo passado sofrido, Daniel e a repórter Brenda são surpreendidos simultaneamente por um ataque fulminante de vários inimigos e pela aparição de Pei, uma pequena monja vinda de Kun Lun e o convocando para voltar a cidade pois uma crise terrível se estabeleceu por lá.

Partindo disso vemos o Punho de Ferro ser quebrado, moído, forçado ao seu limite, para depois ressurgir no segundo arco, Redenção. Kaare consegue arquitetar essa queda seguida de ascensão com uma arte primorosa e um roteiro, infelizmente, falho em algumas partes.

O traço é simplesmente enlouquecedor e tremendamente expressivo para qualquer fim que seja destinado. Toda a fluidez, agilidade e potência dos golpes desferidos pelo herói são transmitidas em cores e enquadramentos que complementam com perfeição a frenética dos combates. E esses mesmos traços conseguem dar vida e expressividades únicas aos momentos mais dramáticos do enredo, principalmente no arco Redenção. A arte é algo de fato irretocável.

Já o enredo traz problemas que acabam por complicar e comprometer, em partes, o conjunto da obra.

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A história tem um andamento bem elaborado no primeiro volume, com um balanceamento presente-passado bem medido e que prende em cada página, culminando em uma derrocada moral de Daniel, mesmo com um destaque estranho dado a Brenda, que mostra ter habilidades não muito esperadas (para não dizer verossímeis) e “roubando” do Punho a tarefa de proteger a jovem Pei. Mas até então, nada demais.

Mas quando vamos ao segundo volume é bem perceptível como Kaare “perde a mão” em algumas escolhas de roteiro que, infelizmente, não funcionam. O desfecho muito mirabolante e que cai em desarmonia com o restante que vimos até então é o que reafirma tudo isso: uma história densa e sólida acaba virando algo com um tom de triunfo pueril.

Punho de Ferro: A Arma Viva traz um trabalho visual de cair o queixo, é até complicado assimilá-lo detalhadamente em uma primeira e rápida olhada. O seu enredo caminha bem durante boa parte da narrativa e leva o leitor a crer em seu potencial. Pena que todo esse potencial vaza pelo ralo de um enredo mal acabado e fechado de forma bem desalinhada com o seu início.

O resultado é algo mediano, mas que o leitor consegue ler – como eu sempre digo – se tiver paciência para relevar os problemas citados. Mas o visual, isso realmente vale a pena conferir.

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Revisão geral
BOM
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