Asterios Polyp é um arquiteto. Desde pequeno ele se destacava dos demais por ter uma mente robusta. Isso lhe deu uma brilhante vida acadêmica bem como vários prêmios arquitetônicos, incluindo o maior deles, o Pritzker. Ser professor catedrático na universidade de Ithaca é outra de suas conquistas. Não é à toa que Hanna, também professora em Ithaca, e que viria a se tornar sua esposa, interessou-se por ele logo na primeira vez que o viu.

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Asterios Polyp é um fracasso. Sua vida acadêmica desmoronou. Nenhum de seus projetos jamais foi construído, no entanto, seu ego nunca fora abalado por isso. Ao contrário, ele orgulhava-se em ser um arquiteto de papel. Ele perdeu sua cátedra em Ithaca. E mesmo no ensino médio, não teve sucesso como professor. Seu ego acabou o casamento com Hanna. Hoje ele é um homem de meia idade, fracassado, sozinho e assombrado pelo irmão gêmeo que morreu no parto.

Esta é a tensão que envolve a história de David Mazzucchelli, autor de Asterios Polyp.

Ele conta essa história em flashbacks. No presente, você vê o Asterios de meia idade, fracassado, no passado, o Asterios no auge de sua carreira, bem sucedido.

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Mazzucchelli levou cerca de 10 anos para escrever essa HQ e isso pode ser observado nos vários detalhes que a compõem. Ele não fez uma história em quadrinhos semelhante a um storyboard, como é o comum, onde a página é separada, de maneira geral, em uma grade ou um conjunto de quadros. Cada página de Mazzucchelli é uma obra de design. Cada elemento desenhado, e a maneira com que é desenhado, conta um pouco a história.

Por exemplo, cada período de tempo, quer seja no presente, quer seja um flahsback, a tonalidade geral dos quadros muda. As cores também são utilizadas para diferencias os personagens. Sempre vemos a cor azul para Asterios, e o vermelho marca bastante Hanna, já o amarelo, Ignazio. Claro que isso também representa aspectos de suas personalidades, azul, racional, vermelho, paixão.

O traço também é um elemento fortíssimo nessa HQ. Não só o traço comum que define os personagens é relevante, mas a maneira como o autor diferencia as personalidades dos personagens através do traço. Quando o autor quer transcender a história contada e representar aspectos profundos de personalidade, ele usa um traço diferente. Na festa dos docentes, no início da revista, isso é bastante marcante. Mazzucchelli desenha todos que estão em quadro utilizando diferentes técnicas de desenhos. Há alguns pontilhados, outros esfumaçados, ainda alguns apenas sombreados, outros somente a silhueta.

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Asterios é representado por formas geométricas firmes e bem definidas. Já Hanna é composta por uma hachura mais solta e bem menos exata. Uma bela maneira que Mazzucchelli encontrou de representar o interesse mútuo entre o casal foi desenhá-los mesclando as duas técnicas. Asterios, completamente reto e preciso, e Hanna, formada por linhas soltas, agora são ambos representados com linhas mais ou menos retas preenchidas com hachura.

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Outro detalhe são os balões de diálogos. Cada personagem possui um formato de balão e um tipo (uma fonte de letra) diferente para representar sua fala. Tudo isso ajuda a construir os personagens.

Sem dúvida Asterios Polyp é uma excelente escolha para quem está buscando um quadrinho diferente e autoral.

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