Dizem que quando você está à deriva no meio do oceano, sem barco ou alguma outra espécie de pequeno refúgio, um dos principais medos é o do que pode estar nadando a baixo dos seus pés. Essa angústia está ligada àquele medo primitivo, o medo do desconhecido, o medo do que pode te arrastar para o desconhecido.

Peter Benchley manipula muito bem esse medo psicológico – e material – nas páginas de sua obra Tubarão, publicada originalmente em 1974 e publicada aqui no Brasil pela Darkside Books, com direito a duas edições: uma capa dura e outra brochura com imagens do filme Jaws (1975 com direção de Steven Spielberg) que foi inspirado na obra de Peter. Ambas edições incrementam ainda mais um catálogo já repleto de excelentes trabalhos gráficos da editora. Mas esse tubarão? Mete medo mesmo? A resposta vem logo nas primeiras páginas.

TUBARÃO_CAFE_ESPADAS-DARKSIDE_BOOKS2

A ideia de predador que mata “somente para a sua sobrevivência” é abandonada quando percebemos que além de alimento, o predador encontrou nas águas da cidade de Amity um ótimo lugar para simplesmente caçar, não necessariamente para comer.

O primeiro ataque ocorre durante a noite, quando uma garota bêbada decide dar um mergulho no mar. Na descrição desse ataque é bem notório a capacidade de Benchley em descrever o animal com precisão. O autor é fissurado nessa máquina de matar chamada tubarão, e esmiúça com riqueza de detalhes cada movimento e a lógica de caça do animal.

Após este ataque, a pacata Amity não será mais a mesma. Cidade turística como é, ela procura sobreviver das altas temporadas de férias, tendo como principal atração a praia. O livro nos lança nas ruas da cidadezinha, sob um sol de rachar, e uma tensão que irá aumentar ao longo da narrativa.

TUBARÃO_CAFE_ESPADAS-DARKSIDE_BOOKS12

Martin Brody é o chefe da polícia. Ao descobrir o primeiro ataque, ele decide fechar a praia, mas é logo impedido pelo prefeito da cidade, Larry e por Harry, um jornalista local. Pensando no lucro que aquele verão promete, eles afirmam que o melhor é esperar as águas ficarem calmas e ver se o peixe ia embora sozinho. Assim, as férias e o comércio de Amity não ficariam arruinados.

Mas o problema do tubarão é bem mais sério do que se pensava, e a montagem de uma estratégia para capturar o animal se torna prioridade. O oceanógrafo Hopper é chamado para descrever os hábitos daquela espécie e dar dicas de como capturar o animal. Mais ataques ocorrem e a situação se alastra, culminando em medidas drásticas, revelando segredos de alguns personagens que orbitam em torno da trama principal e enriquecem ainda mais o enredo de Tubarão.

TUBARÃO_CAFE_ESPADAS-DARKSIDE_BOOKS

A atmosfera passada por Benchley em sua narrativa não é comum as “histórias de predadores”, monstros devoradores de gente. Ele consegue com sua escrita ágil passar uma sensação de viva realidade as suas cenas de suspense, fazendo uso de uma linguagem quase cinematográfica.

Além desses momentos frenéticos, o autor também mostra capacidade de desenvolver as facetas sociais do cotidiano de Amity. Nessas partes a história fica um pouco mais travada, mas não menos interessante. Tubarão pode ser dividido em núcleos diferentes de narrativa, que se amarram muito bem e cooperam um com outro pelo bem maior da história.

Os dramas pessoais são complementos a ação frenética que se desenrola mais evidentemente no início e nas últimas partes da leitura. O autor retrata o tubarão como uma besta incontrolável, inteligente e de instinto quase implacável. Sabemos que um tubarão de verdade não se comporta dessa forma na natureza; mas o de Benchley, sim.

TUBARÃO_CAFE_ESPADAS-DARKSIDE_BOOKS1

O livro diverge do filme em alguns pontos, segundo o próprio autor, pois há outros elementos envolvidos em toda a trama, como a máfia por exemplo. Mesmo sendo algo bem engenhoso e que poderia enriquecer ainda mais a obra, fica uma impressão de que alguns pontos poderiam ter sido mais enfatizados e desenvolvidos. Isso tudo contribui para o desfecho do livro, que é satisfatório, mas poderia ser menos previsível.

No fim, Tubarão é um livro muito singular. Traz algo único, que somente a sua trama possui. Nada que o faça uma das maiores e melhores histórias já escritas, mas ele diverte de um jeito peculiar. Talvez, respaldado pela atração que o homem tem por tudo que pode o destruir. Benchley expõe essa peculiaridade quando promove o contato de várias caças e caçadores dentro da sua trama, e nos entrega uma boa leitura.

Saiba mais sobre essa obra no Skoob.

 

Revisão geral
BOM
COMPARTILHAR
AnteriorStar Wars – Darth Vader e Seus Filhos
PróximoA obra inédita de Tolkien

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, insira seu comentário
Por favor, insira seu nome aqui